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Copa do Mundo, Mobilidade e Legado



Manuel Ribeiro é engenheiro Civil e secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia
Falar mal da Copa passou a ser uma atitude de senso comum no Brasil. Imaginava-se, talvez, um legado de obras capaz de transformar as nossas urbes em cidades do primeiro mundo. A Copa do Mundo é apenas um torneio de futebol que dá visibilidade – para bem e para o mal – ao país sede. Além das arenas e do hexa, o único legado efetivo que a Copa pode deixar é o retorno financeiro com origem no turismo. Alguns Estados, no afã de serem selecionados como sede, passaram a definir matrizes de responsabilidades com obras imediatistas e conjunturais. Tais intervenções, tanto pelos aspectos quantitativos e qualitativos como temporais, decepcionaram. E assim o sonho do legado da Copa deu lugar à realidade: Copa do Mundo e construção de Arena não transformam.
No Carnaval, Salvador recebe mais de quinhentos mil turistas e proporciona mobilidade para mais de um milhão de pessoas, que vão dos diversos pontos da cidade aos chamados circuitos, apenas com a operação de trânsito, transporte coletivo e segurança. Para que fazer obras conjunturais para a Copa se um plano operacional pode resolver a contento? O Estado da Bahia optou pela racionalidade: contratou a elaboração de um Plano Operacional, já posto em prática na Copa das Confederações, e aproveitou a discussão sobre mobilidade e legado para conseguir recursos necessários à resolução estrutural e integrada do sistema de transportes, sem preocupação com a Copa em si.
E as ações estruturais do Governo do Estado se sucedem. Primeiro o Complexo Viário 2 de Julho no Aeroporto, seguido da melhoria das rodovias metropolitanas (CIA – Aeroporto – Polo Petroquímico) e com a futura implantação da rodovia de contorno de Lauro de Freitas. Logo após, a obra da Via Expressa que liga o Porto de Salvador à BR-324, resolvendo na sua passagem o eterno imbróglio de trânsito da Rótula do Abacaxi e reduzindo o tráfego na Bonocô. O Metrô foi transferido para o Estado em 2013 e teve suas obras retomadas pela Linha 1, estendendo-se da Lapa à Pirajá no primeiro momento (em andamento e com recursos assegurados), e que prosseguirá posteriormente até Águas Claras.
Isto assegurará à área do Miolo – bairros populares e populosos da capital – acesso ao Metrô (linhas 1 e 2) pela Av. 29 de Março, já contratada, a ser construída com faixa central destinada a BRT/BTS, ou pela Av. Gal Costa, que será requalificada e que também já foi licitada. Estas vias estruturais transversais ligarão a costa atlântica da Cidade à costa da baía no Subúrbio. A concepção destas vias estruturais pertence ao Projeto Metropolitano, da década de 80 do século passado, e que os administradores públicos omitiram-se, exceto pela Av. LEM, que foi construída com sérias falhas de projeto nas suas extremidades e que agora estão sendo corrigidas pelo Estado. Resgata-se uma dívida de trinta anos.
Na Paralela, temos a construção da Linha 2 do Metrô e a resolução dos principais conflitos de tráfego, como já ocorre com Imbuí e Narandiba e irá ocorrer com a requalificação do Viaduto de Dona Canô/Pinto de Aguiar e com a construção do Viaduto da Av. Orlando Gomes. Constata-se que o Estado irá entregar um sistema integrado de mobilidade com o transporte coletivo priorizado. Podemos afirmar que está sendo posto em prática o maior plano de infraestrutura viária e de transportes vivido por Salvador desde a implantação das avenidas de vale nos anos 1960/70. Para o futuro, espera-se que o Município exerça a sua competência no controle do ordenamento, ocupação e uso do solo, fundamental para a preservação da mobilidade. Hoje, somos uma cidade sem PDDU e LOUS com modulações determinadas pelos urbanistas desembargadores.
A Copa do Mundo para a Bahia foi um marco de oportunidade para a resolução estrutural de problemas de mobilidade e, com certeza, os que aqui aportarem sairão encantados, como saem do nosso Carnaval os turistas. Saberemos, Governo do Estado, Prefeitura e Comitê Organizador Local da FIFA, mediante Plano Operacional, dar aos que aqui vierem recepção, mobilidade, segurança, serviços médicos e limpeza urbana.
Artigo publicado na edição desta sexta-feira, 04 de abril, do jornal A TARDE.

Em Salvador, Conselho Estadual das Cidades realiza primeiro pleno com membros da nova gestão



IMG-20140328-WA0020A 3ª Gestão do Conselho das Cidades da Bahia (ConCidades) realiza na tarde desta sexta-feira, 28/03, a primeira reunião do Pleno do conselho. Participam do encontro o secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia e presidente do ConCidades, Manuel Ribeiro, o chefe de gabinete da Sedur, Eduardo Copello, entre outros membros. A reunião conta com a presença também de representantes das Câmaras Técnicas de Saneamento, Planejamento e Gestão Territorial Urbana e Mobilidade, e de Habitação.
A 3ª Gestão do Conselho das Cidades da Bahia, eleita na 5ª Conferência Estadual das Cidades da Bahia, tomou posse na tarde desta quinta-feira, 27/03, em cerimônia no Auditório da União dos Municípios da Bahia – UPB. Estiveram presentes o Governador do Estado, Jaques Wagner, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Manuel Ribeiro, entre outras autoridades e representantes da sociedade civil e dos diversos segmentos que compõem o Conselho.
Criado através da Lei nº 10.704, de 12 de novembro de 2007, e regulamentado pelo Decreto nº 10.949 de 06 de março de 2008, o Conselho das Cidades foi uma reivindicação da 3ª Conferência das Cidades, que aconteceu em 2007. O ConCidades é uma demanda que responde à necessidade de integração das políticas de desenvolvimento urbano – entre a União e o Estado da Bahia – com as políticas sociais, econômicas e ambientais.
A Bahia foi um dos primeiros estados no país a criar e instalar o seu ConCidades, permitindo, inclusive, a inserção de avanços na sua constituição e área de abrangência representativa. A proporcionalidade dos segmentos, e a ampliação da abrangência de representação dos conselheiros para todos os territórios de identidade do Estado, garante que o Conselho trate adequadamente a problemática urbana da Bahia no contexto da realidade regional, das cidades grandes, médias e pequenas, características mais rurais ou urbanas.
Fonte: Ascom/Sedur